Cassandra Rios: uma voz censurada no regime militar no Brasil

Roberta Knapik Brum, Délcio Marquetti

Resumo

O presente artigo apresenta exposições preliminares de uma pesquisa em andamento, que se encontra em fase inicial. Debruça-se sobre um objetivo aparentemente simples, mas que na verdade é simbólico e, portanto, significativo: em tempos de empoderamento feminino, objetiva retirar da margem e do esquecimento e trazer à tona uma das escritoras mais censuradas no Brasil no contexto do período do regime militar (1964-1985): Cassandra Rios (1932-2002). Assim, busca recuperar a história de uma voz encoberta pelos silêncios. Rios foi considera pela censura como autora pornográfica, e como tal, proibida. A fim de dar conta da proposta, a pesquisa parte de fontes bibliográficas e documentais, destacadamente os pareceres censórios da Divisão de Censura a Diversões Públicas (DCDP) sobre os livros da autora, assim como os próprios livros da autora e também entrevistas concedidas por Rios à veículos da época, geralmente revistas. Esta documentação é complementada por uma historiografia que versa sobre a temática da repressão durante o regime militar (1964-1985), em especial no âmbito/instância da censura cultural, especificamente a voltada aos livros, amparado em teóricos como Carlos Fico, Beatriz Kushnir, Douglas Atilla Marcelino e Sandra Reimão. De caráter prioritariamente bibliográfico, situa-se no diálogo entre dois campos: História e Literatura, caracterizando-se pela perspectiva da História Cultural. Pensa-se os encontros e desencontros desses dois campos sob a ótica da História Cultura, a partir de historiadores como Sandra Jatahy Pesavento, assim como o entendimento de pornografia pautada na historiadora Lynn Hunt.

Palavras-chave

Censura; Cassandra Rios; Literatura Pornográfica; Regime Militar.

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