Narrativas autobiográficas de uma mulher negra: identidades sociais de raça e gênero

Andreia Teixeira Ramos

Resumo


O presente texto se debruça sobre o tema das identidades raciais e de gênero constituídas nos cotidianos da vida de uma estudante e professora, durante o curso de doutorado em educação, a partir do contato com vastos materiais acadêmicos relacionados às questões étnico-raciais. O objetivo do artigo é apresentar narrativas autobiográficas de uma mulher negra, que é professora-pesquisadora, com foco na construção de sua identidade racial. A base teórica que deu sustentação às reflexões foram as vozes de várias mulheres negras, cito aqui bell hooks, Grada Kilomba e Sueli Carneiro. Outra importante presença é a da literatura de Conceição Evaristo, que nos convida a traçar a arte de escrevivência de narrativas autobiográficas que carregam sentimentos, gestos, afetos, amizades, tensões, conflitos, negociações, os quais compõem as lembranças das experiências de vida da autora. Além dos textos de Paulo Freire com ênfase na escritura de cartas, importante procedimento pedagógico que tornou possível a elaboração de narrativas autobiográficas como forma de promover o processo de constituição da identidade racial da autora do artigo. A metodologia empregada foi a pesquisa narrativa, valendo-se do gênero carta como exercício de narrar-se, aqui utilizado com valor pedagógico e metodológico, não pressupondo, necessariamente, o envio aos destinatários.  Como resultados alcançados, com a escrita das narrativas autobiográficas me reconectei com certas memórias, acontecimentos, experiências passados, erguendo minha voz no processo de autocrescimento e autorrecuperação, possibilitando a desmontagem das estruturas de dominação, e, reinventando modos outros de ser e viver.

Palavras-chave


Narrativas autobiográficas; Identidades sociais de raça e gênero; Mulher negra.

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