A grande transformação da planície do norte do Rio de Janeiro (1933-1990)

Autores

  • Arthur Soffiati Professor aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF)

DOI:

https://doi.org/10.48075/amb.v3i1.26872

Palavras-chave:

planície costeira, área úmida, drenagem, problemas socioambientais

Resumo


As planícies costeiras do Atlântico Sul formaram-se nos últimos 5 mil anos e foram um dos primeiros terrenos tocados na América por europeus em seu processo de expansão, no século XV. Áreas de tabu­leiros também se estendem na zona costeira e foram conquistadas no século XVI para a obtenção de lenha e madeira, tanto quanto para a abertura de terras para a agropecuária. As planícies, principalmen­te, contavam com extensas áreas úmidas que dificultavam uma economia agropecuária. Durante todo o período colonial e ao longo do século XIX, a excessiva umidade impunha limitações à agropecuária. A modernização dessa atividade, a partir do final do século XIX, acabou exigindo a drenagem de tais áreas em todo o Brasil. Várias comissões de saneamento foram criadas para tal finalidade. A que se firmou, entre 1940 e 1989, em todo o país foi o Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS). A atu­ação do órgão promoveu uma grande transformação no ambiente com profundas consequências soci­ais. O presente artigo toma o caso da planície do norte do estado do Rio de Janeiro para ilustrar a gran­de transformação por que passaram esses terrenos e os problemas ambientais dela resultantes. Hoje, a agropecuária no Norte Fluminense mostra sensíveis sinais de esgotamento.

Biografia do Autor

Arthur Soffiati, Professor aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF)

Doutor em história social com ênfase em história ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor Associado 1, aposentado da Universidade Federal Fluminense

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Publicado

29-06-2021

Como Citar

SOFFIATI, A. A grande transformação da planície do norte do Rio de Janeiro (1933-1990). AMBIENTES: Revista de Geografia e Ecologia Política, [S. l.], v. 3, n. 1, p. 151, 2021. DOI: 10.48075/amb.v3i1.26872. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/ambientes/article/view/26872. Acesso em: 9 dez. 2021.