Crianças com baixo desempenho em atividades cotidianas tendem a apresentar baixo desempenho escolar

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36453/2318-5104.2020.v18.n2.p137

Palavras-chave:

Comportamento Motor, Desempenho Escolar, Crianças.

Resumo


OBJETIVO: Relacionar o desempenho motor com o desempenho escolar de crianças de sete a 10 anos. MÉTODOS: Trata-se de uma pesquisa descritiva de corte transversal, composta por 680 escolares do ensino fundamental I do município de São José/SC. As crianças foram avaliadas por meio do Teste Motor e a Lista de Checagem do Movement Assessment Battery for Children Second Edition – MABC-2. O Desempenho Escolar foi verificado por meio do boletim individual, fornecido pela escola, do qual foram utilizados os conceitos atribuídos aos alunos nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. Utilizou-se o Statistical Package for Social Sciences - SPSS versão 20.0 for Windows para análise dos dados e para a realização do teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov. Para a estatística descritiva foram feitos os testes de médias, medianas, frequências e desvios-padrão, máximos e mínimos. Para análise inferencial foram utilizados o teste U de Mann-Whitney para verificar diferença entre grupos, e Qui-Quadrado e Pearson para verificar associação entre grupos e ajuste residual para a tendência de associação, além da regressão logística. Foi considerado o nível de significância de 5%. RESULTADOS: Crianças com baixo desempenho escolar em português, apresentaram maiores médias nas habilidades de cuidado pessoal (1,69±1,99; p=0,012), de sala de aula (1,78±2,16; p=0,002) e recreativas/educação física (1,80±2,11; p=0,028), em ambientes estáveis. Em ambiente dinâmico houve diferença das médias apenas nas habilidades de cuidado pessoal/sala de aula (português: 2,70±2,56; p=0,001; matemática: 2,64±2,55; p=0,003). CONCLUSÃO: Crianças com baixo desempenho nas atividades cotidianas são mais propensas a apresentar baixo desempenho acadêmico. ABSTRACT. Children with low motor performance in activities of daily living tend to show low school performance. OBJECTIVE: To relate motor performance to academic performance of children aged from seven to 10 years. METHODS: This is a descriptive cross-sectional study, composed of 680 elementary school students in the city of São José (SC). Children were assessed using the Motor Test and the Movement Assessment Battery Checklist for Children Second Edition - MABC-2. School performance was verified through the individual school report, provide by the school, from which the concepts attributed to students in the subjects of Portuguese Language and Mathematics were used. The Statistical Package for Social Sciences - SPSS version 20.0 for Windows was used for data analysis and the Kolmogorov-Smirnov normality test was performed. Utilizou o Statistical Package for the Social Sciences - SPSS versão 20.0 para Windows para análise de dados e realização de teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov. For descriptive statistics, media tests, medians, frequencies and standard deviations, maximum and minimum, were performed. For inferential analysis, Mann-Whitney U tests were used to verify difference between groups, and Chi-Square and Pearson tests to verify association between groups and residual adjustment for an association trend, in addition to logistic regression. The significance level of 5% was considered. RESULTS: Children with poor academic performance in portuguese, showed higher averages in the skills of personal care (1.69±1.99; p=0.012), in the classroom (1.78±2.16; p=0.002) and recreational/physical education (1.80±2.11; p=0.028), in stable environments. In a dynamic environment there was a difference in the averages only in the skills of personal care/classroom (Portuguese: 2.70±2.56; p=0.001; Mathematics: 2.64±2.55; p=0.003). CONCLUSION: Children with low performance in daily activities are more likely to show low academic performance.

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Biografia do Autor

Robert Edward Silveira, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

Mestre em Ciências do Movimento Humano pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Graduado em Licenciatura Plena em Educação Física pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI)

Tailine Lisboa, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

Doutoranda no Programa de Pós Graduação de Ciências do Movimento (PPGCMH) pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Mestra pelo Programa de Pós Graduação de Ciências do Movimento (PPGCMH) pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Graduada em Licenciatura em Educação Física pela PUCPR. Integrante do Laboratório de Distúrbios da Aprendizagem e do Desenvolvimento (LADADE) (UDESC).

Manuela Castro Braz, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

Mestranda no Programa de Pós Graduação de Ciências do Movimento (PPGCMH) pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Graduada em Educação Física e Esporte pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL). Integrante do Laboratório de Distúrbios da Aprendizagem e do Desenvolvimento (LADADE) (UDESC).

Carina Raffs Leite, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

Doutoranda no Programa de Pós Graduação de Ciências do Movimento (PPGCMH) pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Mestra no Programa de Pós Graduação de Ciências do Movimento (PPGCMH) pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Graduada em Licenciatura plena em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Integrante do Laboratório de Distúrbios da Aprendizagem e do Desenvolvimento (LADADE) (UDESC).

Walan Robert da Silva, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

Doutorando em Ciências do Movimento Humano pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Mestre em Ciências do Movimento Humano pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Bacharel em Educação Física pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Professor no Curso de Educação Física Bacharelado e Licenciatura no Centro Universitário Avantis (UNIAVAN). Membro do Grupo de Pesquisa em Comportamento Motor (GECOM- PUCPR). Integrante do Laboratório de Gênero, Educação, Sexualidade e Corporeidade (LAGESC- UDESC) e Membro do Grupo de Pesquisa Gênero, Esporte, Saúde, Lazer e Sociedade- UCB. Ênfase em pesquisas na área da Psicologia do Esporte e do Exercício Físico e Psicometria.

Thais Silva Beltrame, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

Doutorado em Ciências do Movimento Humano pela Universidade Federal de Santa Maria, Brasil(2000) Professor Efetivo da Universidade do Estado de Santa Catarina , Brasil. Coordenadora do Laboratório de Distúrbios da Aprendizagem e do Desenvolvimento (LADADE).

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Publicado

15-07-2020

Como Citar

SILVEIRA, R. E.; LISBOA, T.; CASTRO BRAZ, M.; RAFFS LEITE, C.; DA SILVA, W. R.; SILVA BELTRAME, T. Crianças com baixo desempenho em atividades cotidianas tendem a apresentar baixo desempenho escolar. Caderno de Educação Física e Esporte, Marechal Cândido Rondon, v. 18, n. 2, p. 137–143, 2020. DOI: 10.36453/2318-5104.2020.v18.n2.p137. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/cadernoedfisica/article/view/24296. Acesso em: 27 nov. 2021.