Max Scheler e a reabilitação da virtude no seio de seu "A reviravolta dos valores"
DOI :
https://doi.org/10.48075/rd.v10i2.33570Mots-clés :
Scheler, Valores, VirtudeRésumé
O presente trabalho oferece uma apropriação interpretativa do primeiro capítulo do livro “Da Reviravolta dos Valores”, intitulado “Para a reabilitação da virtude” do filósofo alemão Max F. Scheler (1874-1928). O texto escrito durante os anos da primeira grande guerra, busca resgatar o conceito de virtude através da história, em especial a Grécia antiga e a Idade Média, comparando-o com o que se compreendia por virtude a época em que foi escrito. O texto mantém-se atual até os nossos dias, pois, como nos diz em seu prólogo, o intuito do filósofo era auxiliar a juventude alemã a se libertar do ressentimento, tal objetivo nos parece válido, não apenas para a juventude alemã da época, como também, para todos nós no tempo presente, pois, segundo o autor, na nossa era de empreendedores, a palavra virtude tornou-se algo próximo de uma habilidade de
ganho, o que faz com que os virtuosos da atualidade metamorfoseassem-na em algo penoso e quase vergonhoso, o que é lastimável, em especial se comparado aos tempos passados, onde a virtude se encontrava entre as mais graciosas e elevadas das qualidades humanas. Assim, o problema que nos promove neste texto é buscar compreender como a virtude caiu em desuso ao ponto de se fazer necessária uma reabilitação e uma recuperação do termo por parte do autor. Na atualidade passamos a crer que a virtude possa ser atingida a partir do hábito do dever, no entanto, nada pode ser mais contrário a
própria virtude do que o hábito. Antes, quando a virtude ainda não havia se transformado neste enfeite extravagante e feio, ela era uma qualidade da pessoa mesma. Agora, ao contrário, tornou-se uma habilidade ou capacidade para algo, uma qualidade que a pessoa pode desenvolver ou adquirir. Antes a virtude não servia para as lidas diárias ou para o desfrute de outrem, visto que seu valor ia muito além do que pode ser doado ou aprendido, sendo uma espécie de luz interior que emanava, tão encantadora quanto a beleza. Não era uma palavra vazia que se degradava como o efeito de uma vontade em consonância com o dever. A virtude não era vista como algo inato, mas apontava para uma consciência individual e pessoal do bem, dessa forma o dever se torna um substituto para a ausência de virtude. Por este motivo que o nosso objetivo é buscar compreender como
Scheler, no início do século XX, em que a decadência da civilização havia se estabelecido através do período de guerra, em especial na Alemanha, onde os valores humanos passavam por uma crise, pensa a questão da virtude. Buscamos, assim, reconstruir o pensamento do autor, de modo a enfatizar essa transição pela qual a virtude passou e como Scheler pensa tal questão.
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