A memória como processo de estruturação no conto “O gargalhada” de J. D. Salinger

Autores

DOI:

https://doi.org/10.48075/rt.v15i3.27505

Palavras-chave:

Conto, Memória, Salinger

Resumo


Estudando o narrador do conto “O Gargalhada” de J. D. Salinger (2019), este artigo busca analisar a maneira com que as contradições na narrativa permitem ao leitor entrever falhas na memória de quem está narrando, indicando um desejo implícito de estruturar um passado desconhecido através do ato narrativo. Isso será pensado em relação à linguagem literária, observando as instâncias em que o discurso memorialístico e o discurso narrativo se sobrepõem, viabilizando possibilidades únicas de representar não apenas as memórias em si, mas também a maneira com que o narrador tem acesso a essas memórias e quais leituras são construídas a partir disso. O artigo se organiza a partir de uma introdução, em que a obra de Salinger é contextualizada, uma discussão teórica dividida em duas categorias principais – a relação entre memória e literatura, concentrada em Henri Bergson (1999) e Giorgio Agamben (2014); estudos prévios sobre os narradores de Salinger, partindo de André Ferreira Gomes dos Santos (2013) e Adolfo Jose de Souza Frota (2008) – e uma análise em que os pontos que pretendemos estudar serão apresentados conforme eles se manifestam na narrativa, seguindo uma abordagem linear da obra. Essas linhas teóricas, somadas à abordagem adotada, nos levaram à interpretação de que existe uma dupla negação por parte do narrador da obra, as quais se manifestam tanto de maneira temática e expressa, quanto de forma estrutural, operando como princípio organizador dos eventos da narrativa.

Biografia do Autor

Kleber Kurowsky, Universidade Federal do ParanáUniversidade Estadual do Paraná

Bacharel em Letras - Português pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e doutorando em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Professor colaborador de teoria literária da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), campus de Paranaguá.

Referências

AGAMBEN, Giorgio. O último capítulo da história do mundo. In: AGAMBEN, Giorgio. Nudez. Tradução de Davi Pessoa Carneiro. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2014. p. 163-167.

BERGSON, Henri. Matéria e memória. Tradução de Paulo Neves. 2. ed. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1999.-

CARVALHO, André Ferreira Gomes de. Sensibilidade e Observação Social em Nine Stories de J. D. Salinger. 2013. 188 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Programa de Estudos Linguísticos e Literários em Inglês, Departamento de Letras Modernas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013.

FROTA, Adolfo Jose de Souza. A influência das filosofias alternativas na vida e na literatura de J. D. Salinger. Publicatio UEPG, Ponta Grossa, v. 16, n. 02, p. 323-334, 2008.

SALINGER, Jerome David. Nove histórias. Tradução de Caetano W. Galindo. São Paulo: Todavia, 2019.

SALINGER, Jerome David. O apanhador no campo de centeio. Tradução de Caetano W. Galindo. São Paulo: Todavia, 2019.

STEVENSON, Robert Louis. Um humilde protesto. In: BEDRAN, Marina. A aventura do estilo: ensaios e correspondência de Henry James e Robert Louis Stevenson. Rio de Janeiro: Rocco, 2019, n.p.

TODOROV, Tzvetan. O que pode a literatura? In: TODOROV, Tzvetan. A literatura em perigo. Tradução de Caio Meira. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009. p. 73-82.

RAMOS, Danielle Cristina Mendes Pereira. Memória e literatura: Contribuições para um estudo dialógico. Linguagem em (Re)vista, Niterói, , v. 6, n. 11/12, p. 92-104, 2011.

Downloads

Publicado

20-12-2021

Como Citar

KUROWSKY, K. A memória como processo de estruturação no conto “O gargalhada” de J. D. Salinger. Travessias, Cascavel, v. 15, n. 3, p. 154–168, 2021. DOI: 10.48075/rt.v15i3.27505. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/view/27505. Acesso em: 22 jan. 2022.

Edição

Seção

LITERÁRIA