MELANCOLICAMENTE CINEMATOGRÁFICO: O OLHAR DE CAIO FERNANDO ABREU

Natália Rizzatti Ferreira

Resumo

O artigo faz uma análise do romance Onde Andará Dulce Veiga? (1990) de Caio Fernando Abreu, obra que, frente à falência do projeto utópico que amparava os ideias da geração da contracultura, remete ao clima de desalento do Brasil no alvorecer dos anos 1990.  O narrador-protagonista aborda os dilaceramentos da sua subjetividade por meio de um procedimento constante de citação, de apropriação de frases e cenas pertencentes a filmes, novelas de televisão e peças. A adoção da linguagem que utiliza, sob a luz da cultura midiática, um acervo de clichês, imagens e signos provenientes das mais variadas manifestações artísticas é emblemática no contexto da sociedade ultramoderna. Nesta apropriação de produtos artístico-culturais a literatura de Abreu estabelece o diálogo intertextual em relação à cultura de massas. Assim, a existência de alguns recursos estético-linguísticos específicos, sobretudo o predomínio da escolha semântico-textual oriunda do universo do cinema imprime ao único romance do escritor gaúcho o status de recurso estilístico, o que acaba por estender os domínios da sua linguagem. 

Palavras-chave

Caio Fernando Abreu, cultura de massas, cinema e literatura, Onde andará Dulce Veiga?.

Texto completo:

PDF