ENTRE O REAL E O FICCIONAL: TRAÇOS AUTOBIOGRÁFICOS EM MARÍLIA DE DIRCEU

Wellington Stefaniu

Resumo

Desde a sua chegada no Brasil, o Arcadismo desempenhou um papel fundamental em nosso país, não apenas por preconizar a construção de um cânone literário com elementos propriamente nacionais, mas também por protagonizar um dos períodos mais conturbados de nossa história, conhecido pelo nome de “Inconfidência Mineira”. Uma das obras literárias que por vezes é tomada como um documento histórico, é o conjunto de liras “Marília de Dirceu”, que teve sua autoria atribuída ao luso/brasileiro Tomás Antônio Gonzaga, poeta que desde o início da conspiração manteve estreitos laços com os mentores dessa conjuração. Sabendo que tal obra poética oscila entre o factual e a subjetividade, nosso trabalho terá como objetivo analisar as características de uma possível escrita autobiográfica presente em seus versos, destacando o momento histórico e literário em que estava inserido, assim como as similitudes de Gonzaga e Maria Dorotéia entre seus respectivos personagens, Dirceu e Marília. Também evidenciaremos alguns elos que unem o mundo real com o ficcional da obra (diegese), estabelecendo uma comparação entre eles, com o intuito de aproximarmos suas peculiaridades.

Palavras-chave

Literatura autobiográfica, Arcadismo, gênero memorial, literatura brasileira.

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