LITERATURA ENTRE DESLOCAMENTOS E FRONTEIRAS: MEDIANDO VOZES

Alai Garcia Diniz

Resumo

Este ensaio propõe-se a ler três corpus para elaborar uma mediação entre vozes femininas na contemporaneidade. O primeiro se localiza em uma oficina de Poesia para Mulheres em um acampamento do MST, durante uma semana,  realizado na passagem do século XX ao XXI e é claro que não tem a intenção de apresentar um modelo de comportamento válido para todo o movimento.  O dado é isolado, mas vale por recuperar uma experiência de interação entre uma pesquisadora urbana, intelectualizada que, ao idealizar a mulher do campo que luta, sofre um impacto e se vale de divagação semântica sobre um léxico codificado como parte da tradição de uma “essência” do ser feminino. A concepção de mulher encaixada num nicho da domesticidade contradiz a vivência concreta em um movimento social marcado pela carência de propriedade da terra. O segundo se refere a atos de protesto e rejeição a la vinda de Judith Butler a Brasil. Esta investigadora norte-americana introduziu a ideia de que o gênero se constrói com a performatividade. Em um Brasil permeado pela ascensão de um pensamento de direita, as donas batem panelas em janelas de apartamento e disseminam o ódio a tudo que questiona a visão heterossexual y reclamam prohibir las reflexiones de gênero.   A terceira leitura refere-se à obra poética Sangria (2017) de Luiza Romão que propone um corpus sobre o corpo feminino assumido como território do imaginário na temporalidade descolonizadora. Uma subjetividade que na literatura performática traduz   o vínculo do corpo  à  política na estética e a estética na política.

Palavras-chave

Poesía; Cuerpo; Género; Judith Butler; Luiza Romão.

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