Das páginas às telas do cinema: a transposição do ponto de vista

Ana Maria Carlos, Flávia Pinati

Resumo

Logo no início da produção cinematográfica, os cineastas viram a literatura como uma grande fonte de inspiração, já que ambas as artes se baseiam na estrutura narrativa, possuindo como objetivo comum contar ou mostrar uma história; atrelada a essa característica habitual aos dois sistemas semióticos em questão é que a adaptação de obras literárias tornou-se uma das práticas mais comuns no mundo cinematográfico. E, desta forma é que as relações entre literatura e cinema ora são marcadas por uma grande união e ora assinaladas por grandes disputas a respeito do julgamento de valor entre ambos. Uma das principais discussões que paira sobre essa atividade tão constante é a manutenção ou não dos aspectos que compõem a obra original. Surge, então, o interesse em examinar as categorias narrativas, observando como se comportam na transposição de um meio a outro, sobretudo a mais importante delas, a do narrador, uma vez que ele é quem conduz a narrativa. Portanto, é importante observar, quando da passagem do suporte literário para o meio audiovisual, se o foco narrativo pode ser substituído ou não pela atividade da câmera cinematográfica, isto é, se pode ocorrer uma correlação entre as características do narrador contido na narrativa literária e acontecer sua possível transcrição/adaptação para o meio audiovisual. Deixando evidente que nossa intenção, aqui, é destacar correlações entre as duas artes, e não julgar uma melhor que a outra.

Palavras-chave

Literatura; cinema; transposição; ponto de vista.

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