Adaptações fonéticas na tradução do léxico onomástico nas obras de Ruggieri
DOI:
https://doi.org/10.48075/odal.v7i1.36000Palavras-chave:
Tradução português-chinês, termos religiosos, adaptação cultural, jesuítas na China, caracteres chinesesResumo
O objetivo deste estudo é analisar a tradução de itens onomásticos religiosos do português para o mandarim no século XVI, com foco nas obras de Michele Ruggieri (1552-1610). Com o desenvolvimento do polo colonial em Macau, os jesuítas adotavam uma política de adaptação cultural, recorrendo principalmente a empréstimos semânticos, enquanto a adaptação fonética era menos comum (Zhu & Araujo, 2025b). Observa-se que, na obra de Ruggieri, há um uso considerável de adaptações fonéticas, especialmente na onomástica cristã. A pesquisa investiga como esses nomes foram adaptados, considerando se a escolha dos caracteres chineses se baseou na proximidade fonética ou em fatores semânticos ou estéticos. A metodologia comparativa-descritiva permite analisar as características fonológicas e semânticas das adaptações de nomes (Calabrese & Wetzels, 2009). Concluímos que, em geral, Ruggieri emprega os caracteres chineses como representações silábicas, sem se ater ao seu uso logográfico tradicional. Em outros casos, contudo, a adaptação semântica, mesmo que parcial, mostrou-se intrinsecamente ligada à fonética, o que reflete a complexidade do processo de adaptação cultural. Este trabalho lança luz sobre as dificuldades de lidar com a onomástica cristã em contextos de línguas que não adotam sistemas alfabéticos (cf. Jatobá, 2025).
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