Toponímia em Língua Geral e identidade na Amazônia bragantina paraense

Autores

DOI:

https://doi.org/10.48075/odal.v7i1.36438

Palavras-chave:

nomeação toponímica, LGA, memória linguística, identidade, toponímia amazônica

Resumo

Este artigo analisa a nomeação toponímica em Língua Geral Amazônica (LGA) no município de Bragança/PA, compreendendo-a como prática simbólica que articula memória linguística, identidade cultural e processos históricos de formação da nacionalidade brasileira. Partindo do pressuposto de que o ato de nomear ultrapassa a função referencial e constitui gesto ideológico do sujeito falante, investiga-se de que modo os topônimos de origem Tupinambá, preservados na paisagem linguística bragantina, materializam a permanência de sentidos autóctones e o diálogo entre o português e a LGA. O corpus é composto por 91 topônimos registrados na dissertação de Araújo (2019), dos quais cinco, representativos dos distritos do município, foram selecionados para análise qualitativa. A investigação fundamenta-se nas concepções de nomeação como ato linguístico e simbólico (Benveniste, 1989; Coseriu, 1982), articula-se à teoria da motivação toponímica (Dick, 1980) e apoia-se na perspectiva funcional-discursiva da linguagem (Travaglia, 2002; Neves, 2018), a fim de compreender a relação entre formas lexicais, contexto sociocultural e projeção identitária. Metodologicamente, a análise articula descrição morfológica e semântica dos topônimos aos aspectos discursivos que orientam suas escolhas, considerando os processos de hibridização lexical, ressemantização e permanência histórica da LGA na Amazônia paraense. Os resultados indicam que os topônimos nheengatu não apenas designam espaços físicos, mas também conservam marcas de territorialidade indígena, configurando-se como signos de memória coletiva. Observa-se, ainda, que a incorporação de elementos da LGA dialoga com o ideário nacionalista romântico oitocentista, que valorizou o indígena como símbolo de autenticidade cultural. Assim, a nomeação toponímica em LGA opera como dispositivo identitário que reinscreve, no português amazônico, vozes e sentidos originários. Conclui-se que a toponímia bragantina paraense de base LGA representa importante testemunho da história linguística brasileira e constitui campo fértil para compreender a relação entre língua, memória e identidade na formação simbólica da nação.

Referências

Araújo, M. J. (2024b). Nomeação toponímica do município de Bragança/PA em Língua Geral Amazônica: Interface entre criação de palavras e identidade nacional brasileira. Revista HaBituS, 22(1), 125–141.

Barros, M. C. D. M., Borges, L. C., & Meira, M. A. F. (1996). A língua geral como identidade construída. Revista de Antropologia, 39(1). https://www.revistas.usp.br/ra/article/download/111629/109666/

Benveniste, É. (1989). Problemas de linguística geral II (E. Guimarães et al., Trads.). Pontes.

Coseriu, E. (1982). Linguística del texto: Introducción a la hermenéutica del sentido. Gredos.

Dick, M. V. P. A. (1980). A motivação toponímica e a realidade brasileira: Aspectos teóricos e metodológicos. Arquivo do Estado de São Paulo.

Gonçalves, C. A. (2016). Atuais tendências em formação de palavras. Contexto.

Halliday, M. A. K. (2004). An introduction to functional grammar (3rd ed.). Arnold.

HOUAISS, A.; VILLAR, M. de S. (2009). Dicionário Houaiss da língua portuguesa. 2ª reimp. alt. Rio de Janeiro: Objetiva.

Neves, M. H. M. (2018). Gramática de usos do português (3ª ed.). Editora Unesp.

Orlandi, E. P. (2009). Análise de discurso: Princípios e procedimentos (10ª ed.). Pontes.

Stradelli, E. (2014). Vocabularios da lingua geral portuguez-nheêngatú e nheêngatú-portuguez (G. G. de Souza, Rev.). Ateliê Editorial.

Travaglia, L. C. (2002). Gramática e interação: Uma proposta para o ensino de gramática no 1º e 2º graus (7ª ed.). Cortez.

Downloads

Publicado

23-02-2026

Como Citar

JAIME ARAÚJO, M. Toponímia em Língua Geral e identidade na Amazônia bragantina paraense . Onomástica desde América Latina, [S. l.], v. 7, n. 1, p. 1–17, 2026. DOI: 10.48075/odal.v7i1.36438. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/onomastica/article/view/36438. Acesso em: 25 fev. 2026.