DO “VIGOR DEMOCRÁTICO” À FLORAÇÃO DO GOLPE: INTERPRETAÇÕES DA CRISE BRASILEIRA NO PENSAMENTO POLÍTICO-SOCIAL DE FLORESTAN FERNANDES E WANDERLEY GUILHERME DOS SANTOS (1954-1962)

Autores

  • Cairo de Souza BARBOSA Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.36449/rth.v23i2.23224

Palavras-chave:

Brasil, democracia, crise

Resumo


O objetivo do presente artigo é analisar como se desenvolveu determinado olhar sobre a ideia de crise no Brasil dos anos 1950 e 1960 a partir de duas importantes obras do pensamento político nacional: Existe uma crise da democracia no Brasil?, de Florestan Fernandes, escrito em 1954; e Quem dará o golpe no Brasil?, de Wanderley Guilherme dos Santos, escrito em 1962. A partir desses escritos, a ideia é perceber como uma ampla mudança no espaço de experiência da política e do contexto social possibilitou que tais intelectuais produzissem distintas interpretações sobre a agudização dos sentimentos de conflito e impasse na história do Brasil na metade do século XX. Em decorrência disso, desenham-se também duas propostas diferentes sobre os caminhos e recursos necessários à superação dos dilemas que se colocavam à época, em que toma a centralidade do debate o horizonte de expectativas relacionado à própria (não) permanência da democracia brasileira.

Biografia do Autor

Cairo de Souza BARBOSA, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Doutorando pelo programa de pós-graduação em História Social da Cultura da PUC-Rio. Mestre pelo programa de pós-graduação em História Social da Cultura da PUC-Rio e graduado em História (Bacharelado e Licenciatura) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Tem interesse nas áreas de Teoria da História, História Intelectual e História da América Latina, atuando sobretudo nos seguintes temas: modernidade, tradição, ensaio, crítica e temporalidade. Atualmente, pesquisa as obras de Pedro Henríquez Ureña, Antonio Candido de Mello e Souza e Édouard Glissant, especialmente as questões que envolvem a relação entre ensaísmo e esfera pública, o desterro enquanto locus epistemológico e a ideia de uma modernidade periférica intempestiva de temporalidade específica. É membro da Comunidade de Estudos de Teoria da História da UERJ (COMUM) e professor do Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais (CEPE). (Texto informado pelo autor)


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Publicado

14-04-2020

Como Citar

BARBOSA, C. de S. DO “VIGOR DEMOCRÁTICO” À FLORAÇÃO DO GOLPE: INTERPRETAÇÕES DA CRISE BRASILEIRA NO PENSAMENTO POLÍTICO-SOCIAL DE FLORESTAN FERNANDES E WANDERLEY GUILHERME DOS SANTOS (1954-1962). Tempos Históricos, [S. l.], v. 23, n. 2, p. 98–121, 2020. DOI: 10.36449/rth.v23i2.23224. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/temposhistoricos/article/view/23224. Acesso em: 8 ago. 2022.

Edição

Seção

Dossiê Temático