Trabalhadoras domésticas: memórias, resistências e criação de direitos (São Paulo, Amazônia e tantos lugares, de um tempo recente e de ainda agora)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36449/rth.v24i2.24813

Palavras-chave:

Trabalhadoras domésticas, ditadura civil-militar, resistências, direitos, memórias.

Resumo


Propõe o presente artigo contribuir para a reflexão sobre a presença das trabalhadoras domésticas na produção de espaços de luta e participação social no Estado de São Paulo e na Amazônia brasileira no período da ditadura civil-militar (1964/1985), e de seu após, com a criação, conquista e manutenção de políticas públicas que alcançam direitos em demandas por moradia, saúde, segurança alimentar, salário, cidadania cultural, tendo a categoria consolidado importante patamar de conquistas com a promulgação e regulamentação recente da Emenda Constitucional n. 72, de 02 de abril de 2013 (a PEC das domésticas). O conjunto documental levantado aqui acompanha expressões de comunicação e educação popular na imprensa nanica, boletins de classe e de bairro, a militância pelo direito à memória do Centro Pastoral Vergueiro (CPV), e outras fontes (literárias, orais, judiciais), que ao longo do período se constituíram em contrapoderes que dinamizaram a presença ativa de católicos, operários, escritores, estudantes e professores, cartunistas, movimentos urbanos, em territórios históricos amplos de mobilização, lado a lado com aquelas trabalhadoras domésticas.

Biografia do Autor

Vanessa Miranda, Psicóloga da Secretaria de Estado da Saúde do Governo do Amazonas (SUSAM/Manaus).

Doutora em Psicologia pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Psicóloga da Secretaria de Estado da Saúde do Governo do Amazonas (SUSAM/Manaus).

Maria do Rosário da Cunha Peixoto, Professora do Departamento de História e do Programa de Estudos Pós-Graduados em História da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo. Professora do Departamento de História e do Programa de Estudos Pós-Graduados em História da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Nelson Tomelin Jr., Professor do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Amazonas (UFAM/Manaus).

Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo. Professor do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Amazonas (UFAM/Manaus). É atualmente Professor Visitante da Universidade de São Paulo vinculado ao Departamento de História e ao Programa de Pós-Graduação em História Social da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH/USP) como bolsista da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (AUCANI).

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Publicado

28-12-2020

Como Citar

MIRANDA, V.; DA CUNHA PEIXOTO, M. do R.; TOMELIN JR., N. Trabalhadoras domésticas: memórias, resistências e criação de direitos (São Paulo, Amazônia e tantos lugares, de um tempo recente e de ainda agora). Tempos Históricos, [S. l.], v. 24, n. 2, p. 129–165, 2020. DOI: 10.36449/rth.v24i2.24813. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/temposhistoricos/article/view/24813. Acesso em: 18 ago. 2022.

Edição

Seção

Dossiê Temático