A presença do cinema como espaço de exclusão da mulher nos contos de Josefina Plá

Suely Aparecida de Souza Mendonça

Resumo

Para Angel Rama (2008) “a propriedade fundamental da literatura [...] exige o reconhecimento dos discursos paralelos e sua independência, mesmo que seja possível detectar entre eles uma tensa rede de interações mútuas”. Neste sentido, considerando a literatura e o cinema como espaços de atividades e discursos sócio-culturais semelhantes, o presente texto tem por objetivo apresentar uma leitura da representação da sala de cinema como lugar de exclusão da mulher nos contos “Maína”, “Adios Dona Susana” e “La jornada de Pachi Achi”, da hispano-paraguaia Josefina Plá. A análise dos contos selecionados terá como respaldo teórico algumas abordagens da Literatura Comparada e dos Estudos Literários e Culturais. Serão levantados alguns estudos críticos sobre possíveis lugares públicos e privados, permitidos ou não para a mulher no início do século passado, como a exposição de Michelle Perrot sobre o acesso ou permanência de ambos os gêneros em espaços considerados sociais. Para a crítica francesa (2005), “aos homens, o público [...] às mulheres, o privado [e estas] ancoradas em seus corpos de mulher chegando a ser por eles presas cativas”.  Destacaremos, assim, os possíveis agentes de exclusão da presença feminina na sala de cinema representados nos contos de Plá, avaliando os processos de subordinação da mulher das classes populares paraguaias impostos pela sociedade patriarcal, machista e preconceituosa revelada nas narrativas selecionadas.

Palavras-chave

literatura e cinema; a mulher na literatura; literatura de autoria feminina; espaços sócio-culturais; Josefina Plá.

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