AMAMENTAR: A QUEM CABE ESTA DECISÃO?

Luciane Thomé Schröder, Juliana de Sá França, Clarice Cristina Corbari

Resumo

Objetiva-se, com este trabalho, oportunizar uma reflexão, à luz da Análise do Discurso, a respeito de campanhas publicitárias em defesa da amamentação. Entende-se que uma discussão sobre esse discurso, que vem ganhando espaço na sociedade, merece uma avaliação, sobretudo, quando o tema parece transpor a esfera do discutível, porque é dado como não polêmico. O que se coloca como problemática – e que não incide sobre os benefícios do aleitamento materno – é a questão de como, por meio dessas campanhas, verifica-se uma questão social a respeito do tratamento que o corpo feminino passa a receber quando políticas públicas entram em cena, assumindo como responsabilidade sua uma escolha que deveria caber exclusivamente à mulher. A discussão coloca em pauta uma prática discursiva de desapropriação do próprio corpo que a mãe passa a sofrer quando as instâncias públicas sustentam unilateralmente o discurso da amamentação, expondo, publicamente, pelo não-dito, as mulheres que, por escolha ou impossibilidade, não venham a amamentar. Propagam-se, nessa ordem discursiva, avaliações questionáveis sobre a boa mãe (que se doa inteiramente à maternidade) e a má mãe (que, ao optar pelo não aleitamento materno, passa a ser vista como menos dedicada ao filho e, pior, como aquela que o priva de uma melhor saúde). As campanhas que compõem o corpus deste estudo revelam práticas de silenciamento que provocam um complexo processo da ordem da não autonomia da mulher sobre o próprio corpo.

Palavras-chave

mulher; mãe; amamentação

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