AMBIVALÊNCIA DE TERMOS E CONCEITOS: IMPLICAÇÕES PARA A LINGUAGEM HÍBRIDA EM CONTEXTO DE FRONTEIRA

Maria Elena Pires-Santos

Resumo


Frente ao paradoxo percebido entre o cenário sociolinguisticamente complexo de fronteira e as políticas educacionais e pedagógicas que priorizam a homogeneidade linguística e cultural, coloca-se como objetivo do presente artigo focalizar a ambivalência dos conceitos de linguagem, cultura, bilinguismo e identidade como conceitos que norteiam diferentes olhares para a escrita híbrida do aluno “brasiguaio”. O aluno “brasiguaio”, que tem como língua materna a língua portuguesa – fazendo parte de seus usos familiares também as línguas de herança como o alemão e/ou italiano – e cuja escolarização no Paraguai centrava-se na língua espanhola e língua guarani, apresenta uma linguagem híbrida quase sempre estigmatizada no contexto escolar brasileiro, o que geralmente provoca baixa autoestima, insucesso escolar e, muitas vezes, evasão escolar. Os conceitos apresentados abrem espaço para que se desvie a atenção da concepção idealizada do sujeito bilíngue e se considere que, devido à característica muldimensional do bilinguismo, o sujeito bilíngue apresenta práticas discursivas em constante processo de mutação e consequentemente também suas identidades culturais, o que pode favorecer identificações com o sucesso escolar e o distanciamento do preconceito e da estigmatização.


Palavras-chave


Linguagem; Bilinguismo; Identidade; Cultura

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DOI: https://doi.org/10.5935/rl&l.v11i20.4136

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