ÁGUA VIVA: UM ROMANCE LÍRICO DE CLARICE LISPECTOR

Diego Luiz Miiller Fascina, Luzia Aparecida Berloffa Tofalini

Resumo

Em Água viva, texto de Clarice Lispector, publicado em 1973, fica evidente o encontro da poesia com a prosa romanesca, formando uma unidade. Este artigo objetiva investigar de que maneira se dá esse encontro e demonstrar os modos pelos quais a poesia se entrelaça com a narrativa de ficção, ou seja, como se processa o amalgamento das categorias da narrativa com os modos líricos, que resulta na hibridez do gênero narrativo romanesco, no romance lírico. De fato, as categorias narrativas acabam por se renderem aos apelos da poesia lírica, tornando a obra híbrida. Inspirado nas teorias existencialistas de Martin Heidegger e de Jean-Paul Sartre, o texto clariceano empreende uma indagação acerca do existir, tentando compreender a condição humana. Os questionamentos mais íntimos e as emoções mais profundas, por pertencerem à parte abissal do ser-aí, não podem ser expressos pelo dizer comum. As personagens, na impossibilidade de exprimir, por meio de palavras comuns, a sua angústia existencial, utilizam-se de uma linguagem permeada pelos recursos próprios da poesia, para dar conta de toda a gama da sua subjetividade. A narradora assume então um discurso poético-lírico, altamente sugestivo. É aí que a prosa se deixa invadir pela poesia e é assim que se estabelece, no texto, a união da prosa com a poesia. O literário ultrapassa, assim, o discurso comum e se configura em um dizer artístico. Para viabilizar o trabalho de análise, são convocados alguns teóricos do assunto tais como Ralph Freedman e Rosa Maria Goulart, além de estudiosos da obra clariceana.

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