A CARTA DO DESCOBRIMENTO: CORPOS, SEXUALIDADE E PODER

Irma Caputo

Resumo

O presente ensaio, partindo das descrições dos corpos das índigenas de Pero Vaz de Caminha na carta do descobrimento (1500), tenta definir as tensões visíveis na relação que os primeiros navegadores, desembarcados no Brasil, tiveram com as populações locais. Define-se o contato/relação com a alteridade a partir dos corpos, duplo dispositivo: de filtro (o olhar do colonizador) e de filtrados (os corpos dos índigenas). Será analisada a forma como a percepção sensorial pode participar na construção da representação do mundo. As descrições dos corpos e a percepção que o escrivão dará através dos seus próprios sentidos serão o ponto de partida para analisar as relações de poder e as tensões entre colonizadores e colonizados que caracterizarão a futura sociedade brasileira. Enfim, partindo da produção de desejo que esses corpos estimulam e das relações entre gêneros será analizada a sexualidade e o controle da mesma na afirmação do poder. Em última análise a percepção dos corpos será o pretexto para analisar a representação que o escrivão dará da alteridade em termos de ser ou de ente. 

Palavras-chave

corpo, Carta do descobrimento, sexualidade, gêneros, alteridade, representação do mundo, poder

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