A CENTRALIDADE DA LINGUAGEM E DO TRABALHO EM QUARTO DE DESPEJO

Angela Maria Rubel Fanini, Carla Prado Vilela

Resumo

A linguagem é elemento central para a constituição do ser humano, pois, além de ser mediadora entre os homens e as coisas, recria o mundo exterior e, nesse processo, o homem se constitui enquanto ser social. Assim como a linguagem, outra centralidade importante na instituição do sujeito é o trabalho, também elemento ontológico e formador do homem. Buscou-se analisar neste artigo, como ocorre a formalização discursiva da linguagem e do trabalho na literatura, e a obra em foco é Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus. Como horizonte teórico linguístico, valemo-nos de Bakhtin/Volochínov (1986); para o entendimento do trabalho partimos das concepções de Marx (1996); Engels (1990) e Lukács (2004). No cenário brasileiro, a obra de Bosi (2002) auxiliou-nos a refletir acerca da literatura enquanto campo de resistência em um mundo degradado e de Candido (1976) no sentido das articulações entre texto e contexto. Como resultado da análise considera-se que a linguagem, corporificada no trabalho imaterial da escrita, tem um papel central na vida da autora, pois é por meio dela que a obra realiza uma denúncia social, possibilitando certa transcendência para a autora. O trabalho, por sua vez, longe de ser um elemento de satisfação na vida da autora, configura-se como uma atividade ausente de sentido e de valor humano. Todavia, é desse universo precário do trabalho material desqualificado que a sua linguagem também se faz, constituindo-se enquanto híbrido entre o pragmático e o literário.

Palavras-chave

Literatura Brasileira; Linguagem; Trabalho.

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