Docência e inclusão no ensino superior
‘metamorfoses' nos percursos de um estudante/pesquisador surdo
DOI:
https://doi.org/10.48075/ri.v25i1.29609Palavras-chave:
Educação de surdos, Ensino bilíngue, Inclusão, Surdez, LibrasResumo
Analisamos os percursos marcados pelo processo de ‘metamorfose’ (KAFKA, 2001) imposto a um estudante/pesquisador surdo na graduação e na pós-graduação. Apesar das legislações que reconhecem a língua e a cultura da comunidade surda (BRASIL, 2002; 2005; 2015; 2021), a surdez permanece interpretada em nossa sociedade a partir de um viés clínico-terapêutico. Esse entendimento repercute em uma noção estereotipada de superação lançada sobre as pessoas com deficiência que revela o capacitismo presente na sociedade (DI MARCO, 2020). Utilizamo-nos da abordagem qualitativa e das ‘histórias de vida’ (GAULEJAC, 1996) como metodologia investigativa, com a seguinte questão de pesquisa: como o binômio ‘inclusão versus exclusão’ está presente e impacta as trajetórias acadêmicas das pessoas surdas, em meio às contribuições e contradições das legislações que determinam a educação bilíngue? Estudamos o caso de Sílvio, pesquisador surdo da área da educação e linguagem que teve a conclusão de seu mestrado largamente publicizado pela instituição na qual este foi realizado. Enfocamos a (re)construção de sua trajetória acadêmica a partir de uma entrevista realizada em Libras e transcrita para a língua portuguesa e operacionalizamo-nos pela ‘análise do discurso’ (GREEN; BLOOME, 1997) para a construção de categorias analíticas que permitem explicar a influência da visão clínico-terapêutica nas trajetórias escolares acidentadas da comunidade surda. Indicamos a importância da formação de professores proficientes em Libras, do estímulo ao engajamento entre estudantes ouvintes e surdos nas atividades acadêmicas e da promoção de políticas de educação básica pautadas no ensino bilíngue. Esses elementos podem contribuir para que a universidade se torne mais inclusiva e democrática.
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