A pele negra de Orfeu na literatura do século XX

Autores

  • Marina Bonatto Malka Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Palavras-chave:

Orphée Noir, Jean-Paul Sartre, Marcel Camus

Resumo


Este artigo tem o objetivo de analisar as duas obras homônimas que relacionam Orfeu com o negro descolonizado: Orphée Noir, prefácio de Jean-Paul Sartre no livro Anthologie de la nouvelle poésie nègre et malgache de langue française (1948) e Orphée Noir (1959), filme de Marcel Camus. Para isso, investiga a etimologia e a simbologia do mito de Orfeu, faz um levantamento das obras que reelaboram esse mito no século XX no Brasil e na França e, por fim, analisa os Orphée Noir inseridos no contexto de independências de países africanos e do governo de Juscelino Kubistchek no Brasil. Nesta perspectiva, as reflexões inserem-se em um esforço de perceber não só a importância do Orphée Noir de Sartre para o Movimento da Negritude, mas também a do Orphée Noir de Camus para a cinematografia mundial, levando em consideração a repercussão controversa de ambas as obras.

Biografia do Autor

Marina Bonatto Malka, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutorando e mestra em Estudos de Literatura na UFGRS. Professora de língua portuguesa na Prefeitura de Capão da Canoa/RS.

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Publicado

02-08-2021

Como Citar

MALKA, M. B. A pele negra de Orfeu na literatura do século XX. Línguas &amp; Letras, [S. l.], v. 22, n. 52, 2021. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/linguaseletras/article/view/26945. Acesso em: 28 nov. 2021.

Edição

Seção

DOSSIÊ PARTE II - Abordagens críticas (pós) decoloniais na literatura, no ensino e na cultura