ECCE HOMO – CHINUA ACHEBE E SEU JOSEPH CONRAD RACISTA

Autores

  • Michelle Jácome Valois Vital

Palavras-chave:

Joseph Conrad, racismo, Chinua Achebe

Resumo


Chinua Achebe, no famoso ensaio “An image of Africa: racism in Conrad’s Heart of darkness”, denuncia o efeito pernicioso da unanimidade em torno do autor e de sua novela. Segundo o escritor, acadêmico e crítico nigeriano, o lugar “indiscutível” e “permanente” de Heart of darknesse de Joseph Conrad no panteon literário contribuiria para a perpetuação de “mitos reconfortantes” em que a África e seu povo servem como tosco fundo de contraste sobre o qual realçar o refinamento e o avanço da civilização ocidental (ACHEBE In ARMSTRONG, 2006, p. 339). "Ecce homo", aponta e insiste Achebe: Conrad, eurocêntrico e racista, deve ser destronado pela crítica e ostracizado pelo público... Mas a indiscutível necessidade e relevância da crítica cultural – ainda mais se apoiada na autoridade de um estudioso negro e africano do porte de Achebe – vedaria então ao autor de Heart of darkness o benefício da dúvida? Suspeitamos que a literatura, a boa literatura, não sobrevive se for tão facilmente desmascarável, seus ardis têm mais sutileza do que a simples prestidigitação ideológica, e ferem uma corda mais sonora do que a mera compaixão decorosa. É, pois, a um olhar mais dirigido ao literário que recorremos como contraponto a esse Joseph Conrad racista, tomando como referência o ensaio de Achebe e replicando, uma a uma, a suas críticas.

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Publicado

30-01-2014

Como Citar

JÁCOME VALOIS VITAL, M. ECCE HOMO – CHINUA ACHEBE E SEU JOSEPH CONRAD RACISTA. Línguas & Letras, [S. l.], v. 14, n. 27, 2014. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/linguaseletras/article/view/9131. Acesso em: 8 ago. 2022.

Edição

Seção

Estudos Literários