Escritoras ítalo-africanas e uma proposta decolonial para a educação linguística em italiano

Autores

Palavras-chave:

Educação Linguística. Escritoras ítalo-africanas. Decolonialidade

Resumo


Este artigo, inserido na área da Linguística Aplicada, tem o propósito de apresentar os resultados de uma pesquisa que objetivou a elaboração de uma proposta de trabalho que visa à promoção de uma Educação Linguística que possibilite o desenvolvimento do pensamento decolonial dos aprendizes de italiano em contexto brasileiro. Para tanto, propomos um trabalho a partir das obras literárias das escritoras que narram e contam as histórias de países que outrora foram colonizados e ocupados pela Itália e que historicamente são negligenciados, invisibilizados e silenciados, tais como: Etiópia, Eritréia e Somália. Para o desenvolvimento deste trabalho foi imprescindível o diálogo com pesquisadoras e pesquisadores que defendem a necessidade de um giro epistemológico e decolonial,  assim como foi essencial estabelecer uma relação com aquelas e aqueles que compreendem a importância da Literatura para o processo de ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras, nesse caso em especial, a língua italiana. Os registros realizados demonstram que a inserção da Literatura das escritoras Elisa Kidané, Ermina Dell’oro, Gabriella Ghermandi e Igiaba Scego, dentre outras, nas aulas de italiano possibilita o desenvolvimento de atividades didáticas potencialmente decoloniais, suleamento desse saber e, consequentemente, mudanças de paradigmas que viabilizarão pensar em ensino a partir do Sul. 

Biografia do Autor

Cristiane Maria Campelo Lopes Landulfo de Sousa, Universidade Federal da Bahia

É professora adjunta de Língua e Literaturas Italianas da Universidade Federal da Bahia. Possui Doutorado e Mestrado em Língua e Cultura pela Universidade Federal da Bahia; Graduação em Letras português- italiano pela Universidade Federal do Ceará (2004) e Graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú ( 2003). Desenvolve pesquisas na área de Linguística Aplicada, focando os seguintes temas: formação de professores de línguas, educação intercultural, pluralidade linguístico-cultural do italiano, materiais didáticos de línguas, Literaturas em língua italiana, políticas linguísticas e decolonialidades. Atualmente, é primeira secretaria da Associação Brasileira de Professores de Italiano e membro do Grupos de Pesquisas DInterLin: Diálogos Interculturais e Linguísticos" da Universidade Federal de Sergipe; LINCE: Núcleo de Estudos em Língua, Cultura e Ensino; Educação, linguagem e interculturalidade e integrante do projeto "Com a palavra, mulheres quilombolas". Recentemente, concluiu o estágio pós-doutoral na Universidade Federal de Sergipe, com período de residência na Universidade de Primorska, na Eslovênia, e na Universidade de Bolonha, na Itália, onde esteve como professora visitante.

Doris Cristina Vicente da Silva Matos, Universidade Federal de Sergipe

Possui Doutorado em Língua e Cultura pela Universidade Federal da Bahia (2014), com período de Doutorado Sandwich na Universidad Nacional de Educación a Distancia (UNED) em Madri/ Espanha, sendo bolsista CAPES. Mestrado em Letras (Linguistica Aplicada ao Ensino/ Aprendizagem de Espanhol LE) pela Universidade Federal Fluminense (2007). Especialização em Língua Espanhola Instrumental para Leitura (2004) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Graduação em Letras (Português/ Espanhol) pela Universidade Federal Fluminense (2003). É professora associada da Universidade Federal de Sergipe e atua na graduação do Departamento de Letras Estrangeiras e no Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL/UFS). Atualmente é coordenadora adjunta do Programa de Pós-Graduação em Letras e coordenadora de área do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID/CAPES/UFS). Foi chefe do Departamento de Letras Estrangeiras de 2019 a 2020, coordenadora do Curso de Licenciatura em Letras Espanhol de 2016 a 2019, coordenadora adjunta de Língua Espanhola do PNLD 2017 e avaliadora de Língua Espanhola do PNLD 2018. Foi presidenta da Associação Brasileira de Hispanistas - ABH - (biênio 2016-2018) e presidenta do Conselho Consultivo da ABH (biênio 2018-2020). Participa da Comissão pela permanência da disciplina Língua Espanhola no currículo escolar sergipano (Fica Espanhol/SE). Lidera o Grupo de Pesquisa DInterLin: Diálogos Interculturais e Linguísticos da UFS e também participa como pesquisadora do Grupo de Pesquisa PROELE: Formação do professor de espanhol em contexto latino-americano da UFBA. Desenvolve pesquisas na área de Linguística Aplicada, focando os seguintes temas: formação de professores de línguas, decolonialidade, interculturalidade, epistemologias do sul, identidades socioculturais, materiais didáticos e currículo. 

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Publicado

02-08-2021

Como Citar

SOUSA, C. M. C. L. L. de; MATOS, D. C. V. da S. Escritoras ítalo-africanas e uma proposta decolonial para a educação linguística em italiano. Línguas &amp; Letras, [S. l.], v. 22, n. 52, 2021. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/linguaseletras/article/view/26433. Acesso em: 28 nov. 2021.

Edição

Seção

DOSSIÊ PARTE II - Abordagens críticas (pós) decoloniais na literatura, no ensino e na cultura