UMA ANÁLISE DA LINGUAGEM NO REFERENCIAL CURRICULAR PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL SOB A PERSPECTIVA DA TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL

Adão Aparecido Molina, Angela Mara de Barros Lara

Resumo

Este texto discute o Referencial Curricular para a Educação Infantil no contexto das Políticas Educacionais da década de 1990, no Brasil. O objetivo é analisar o conteúdo de linguagem proposto como trabalho didático para crianças de 4 a 6 anos. A apropriação da teoria de Vygotsky pelas políticas neoliberais e sua incorporação às propostas educacionais atuais têm sido motivo de muitas reflexões, pois na década de 1990 a educação e a infância passaram a ser foco das atenções dos governantes e das políticas públicas. Para esclarecer as contradições presentes no processo de produção material da vida humana, desse período, apresentamos as categorias históricas de Marx que fundamentam a concepção materialista da história e de Vygotsky, que utilizou a mesma metodologia para criar a teoria histórico-cultural da psique humana. Fundamentamos a linguagem nessa teoria e analisamos a concepção de linguagem proposta no Referencial. A análise mostrou que existe uma utilização de parte das ideias de Vygotsky; entretanto, sua teoria é desconsiderada. Ele é visto como um autor construtivista. Essa apropriação de parte de suas ideias caracteriza uma ressignificação de conteúdos e uma utilização ideológica de sua teoria. A análise apontou, ainda, na proposta didática com a linguagem falada e escrita, no Referencial, uma aproximação com os conteúdos trabalhados em séries mais avançadas do ensino fundamental.

Palavras-chave

Políticas neoliberais. Políticas educacionais. Infância e Linguagem.

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